Roberto Leal Alma Minha
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Eu só sei viver assim -
Fernando Girão COLETÂNEA DE 1996
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Alma minha gentil que te partiste Tão cedo desta vida descontente Repousa lá no céu eternamente E viva eu cá na terra sempre triste
Se lá no assento etéreo aonde subiste Memória desta vida se consente Não te esqueças daquele amor ardente que já nos olhos meus tão puro viste
E se vires que pode merecer-te Alguma cousa a dor que me ficou Da mágoa sem remédio de perder-te
Roga a Deus que os teus anos encurtou Que tão cedo de cá me leve a ver-te Quão cedo dos meus olhos te levou
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Vem que o barco vai partir, é hora de ir pro mar De içar as velas brancas e recomeçar Vem sentir a emoção de uma idéia tão feliz De levar de novo as cores do nosso país
Hoje os mares são os mesmos de há anos atrás e os perigos dos caminhos já não são iguais Das espadas e florins às ogivas e fuzis Mas há algo que ainda é preciso descobrir
Ensinar o mundo a dar as mãos Encontrar na Terra o Céu do amor Ensinar o mundo a navegar em Nau de Paz Navegador ! Teu destino é formar Heróis do Mar Junta tua voz a todos nós Vamos ensinar o mundo a cantar |!
Como as rochas encobertas fazem naufragar Não encubras teu destino que é viver no mar Não são ventos e tufôes que empurram galeões São as calmas brisas que nos fazem velejar Quem foi dono dos caminhos deste imenso mar e quem deu mundos ao mundo ainda quer mostrar Não há terras pra inventar , novas rotas a seguir Mas há algo que ainda é preciso descobrir
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Pater noster qui est in coeli Sanctificetur nomem tuum Adveniat regnum tuum Fiat voluntas tua Sicut in celo et in Terra
Pai Nosso que estás no Céu Santificado Senhor seja o Teu Santo nome Venha ao Teu reino Seja feita a Tua vontade Assim na Terra como no Céu Dá-nos o pão deste dia e aos nossos erros perdão Como aos outros perdoamos Não nos deixe em tentação Livra-nos de todo o mal que Tua é a Glória . Amém !
Elohim ! Elohim ! Elohim ! Elohim !
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Ao deixar a minha terra eu pensei que navegar era só partir pra longe e um dia regressar Ao chegar à nova terra, quis fazer dali meu lar e estrangeiro eu fui pra sempre nunca tive o meu lugar
Quem somos nós em frente ao mar ? Com sonhos loucos de navegar Quem somos nós em frente ao cais ? Com sonhos loucos voltar atrás
Num Natal que eu não esqueço regressei ao meu país Cada amigo que eu conheço me abraça e me diz que eu deixei de ser quem era, que estranha o meu falar e imigrante eu fui pra sempre, nunca tive mais um lar
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Meu Portugal - és lindo, meu Portugal Tal qual o amor que eu deixei na capital - Lisboa Ai que saudades do nosso amor ancorado naquele porto distante da capital - Lisboa Sonhos azuis, barco de luz brilhava e em nosso olhar o amor falava
Quero voltar e ver de novo por lá aquele amor ... onde andará ? Quero rever os nossos sonhos azuis Que eu deixei em Portugal.
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Terra minha , que um dia fui deixar-te que eu não era então o dono do meu destino Se puseram nas minhas mãos de menino essa dor que tanto custa vir contar-te E hoje eu venho resgatar o teu carinho Fui sem culpas, volto cheio de esperanças Que tu mesma me ensinaste o caminho destes mares que me deste por herança
E bem ou mal ... sou o teu filho ! O mesmo gosto de sal trago comigo Terra minha !
E ao chegar eu não pensei nem um instante Terra minha, minha mãe, em não amar-te que tristeza eu sinto hoje, ao encontrar-te não me chamas filho... chamas-me imigrante.
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Como é linda a minha aldeia - o lugar onde eu nasci Sob a luz de uma candeia lembro a terra onde eu vivi É tão lindo o amanhecer - cai o sol sobre as herdades Lá eu não pude viver, hoje eu choro de saudade.
À hora da Ave Maria quando os sinos vão tocando é chegado o fim do dia - nossa gente vai rezando nessa hora de alegria, logo se prepara a ceia à hora da Ave Maria, como é linda a minha aldeia !
Oh ! jardim das oliveiras ! guarda os teus lindos trigais és a esperança verdadeira - és a terra dos meus pais é tão lindo o amanhecer - cai o sol sobre as herdades lá eu não pude viver, hoje eu choro de saudade.
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Quando a gente tem um grande amor É sempre bem mais triste a despedida Na hora da partida o coração padece Jamais a gente esquece aquela dor
Tentamos esconder, em vão, no olhar a lágrima que insiste em deslizar Pois quando o amor existe , partir é bem mais triste Saudade é coisa que nos faz chorar
E assim - quando eu deixei meu Portugal meu coração chorou numa canção o amor que lá deixei Depois ... olhando o céu eu compreendi que um grande amor que a gente deixa lá - jamais se esquece aqui !
O tempo passa e o pensamento faz de tudo uma recordação a mais Meu bairro, minha rua, o amor, a noite e a lua Tudo isto, o coração da gente traz E sempre existe uma canção de amor Que fala ao coração e faz sonhar O peito não resiste - o pensamento existe e aquele adeus então não pode dar
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Não sei, não sabe ninguém Por que canto o fado neste tom magoado de dor e de pranto E neste tormento, todo o sofrimento que sinto em minha alma, cá dentro se acalma nos versos que canto Foi Deus Quem deu luz aos olhos perfumou a rosa , deu ouro ao sol e prata ao luar foi Deus quem me pôs no peito um rosário de penas que vou desfiando e choro a cantar
Pôs as estrelas no céu fez o espaço sem fim deu o luto às andorinhas Ai, Deu-me esta voz a mim
Se canto eu não sei o que canto misto de ventura, saudade,ternura, e talvez amor mas sei que cantando sinto o mesmo quando se tem um desgosto e o pranto no rosto nos deixa melhor Foi Deus quem deu voz ao vento luz ao firmamento, e deu o azul às ondas do mar foi Deus Quem me pôs no peito um rosário de penas que vou desfiando e choro a cantar Fez poeta o rouxinol pôs no campo o alecrim deu as flores à primavera Ai, deu-me esta voz a mim
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Vou cavalgar por toda a noite por uma estrada colorida usar meus beijos como açoite e a minha mão mais atrevida Vou me agarrar aos teus cabelos Pra não cair do teu galope Vou atender aos meus apelos Antes que o dia nos sufoque
Vou me perder de madrugada Pra me encontrar no teu abraço Depois de toda a cavalgada Vou me deitar no teu cansaço Sem me importar se nesse instante Sou dominado ou se domino Vou me sentir como um gigante Ou nada mais do que um menino
Estrelas mudam de lugar , chegam mais perto só pra ver E ainda brilham de manhã depois do nosso amanhecer E na grandeza deste instante o amor cavalga sem saber que na beleza desta hora o sol espera por nascer |