Roberto Leal                  Alma Minha

      

 

Eu só sei viver assim - Fernando  Girão
Alma Minha -
Camões / Roberto Leal / Márcia Lúcia
Nau de Paz -
Roberto Leal / Márcia Lúcia
Meu Portugal -
Eunice Barbosa / Dedé Paraiso
Gosto de Sal -
Roberto Leal / Márcia Lúcia
Elohim -
Roberto Leal / Márcia Lúcia
Quem Somos Nós -
Roberto Leal / Márcia Lúcia
Como  é linda minha Aldeia -
Roberto Leal / Márcia Lúcia
Um grande Amor -
Roberto Carlos / Erasmo Carlos
Vida Tirana -
Roberto Leal / Márcia Lúcia
Desencontro -
Roberto Leal / Márcia Lúcia
Foi Deus -
Alberto Janes
Olhos Castanhos -
Alves Coelho Filho
Cavalgada -
Roberto Carlos / Erasmo Carlos

                                COLETÂNEA DE 1996

 

            ALMA  MINHA

Alma minha gentil que te partiste

Tão  cedo  desta vida descontente

Repousa lá no céu eternamente

E viva eu cá na terra sempre triste

 

Se lá no assento  etéreo  aonde subiste

Memória desta vida se consente

Não  te esqueças daquele amor ardente

que já nos olhos meus tão  puro  viste

 

E se vires que pode merecer-te

Alguma cousa a dor que me ficou

Da mágoa sem remédio  de perder-te

 

Roga a Deus que os teus anos encurtou

Que tão  cedo  de cá me leve a ver-te

Quão  cedo  dos meus olhos te levou

 

                      NAU  DE PAZ

Vem que o barco  vai  partir, é hora de ir pro mar

De içar as velas brancas e recomeçar

Vem sentir a emoção  de uma idéia tão  feliz

De levar de novo as cores do  nosso  país

 

Hoje os mares são os mesmos de há anos atrás

e os perigos dos caminhos já não  são  iguais

Das espadas e florins às ogivas e fuzis

Mas há algo  que ainda é preciso  descobrir

 

        Ensinar o mundo  a dar as mãos

        Encontrar  na Terra o   Céu do amor

        Ensinar o mundo  a navegar em Nau  de Paz

        Navegador ! Teu   destino  é formar Heróis do Mar

        Junta tua voz a todos nós

        Vamos ensinar o mundo   a cantar |!

 

Como as rochas encobertas fazem naufragar

Não  encubras teu destino que é viver no mar

Não  são ventos e tufôes que empurram galeões

São as calmas brisas que nos fazem velejar

Quem foi  dono  dos caminhos deste imenso  mar

e quem deu mundos ao mundo  ainda quer mostrar

Não  há terras pra inventar , novas rotas a seguir

Mas há algo que ainda é preciso descobrir

 

          ELOHIM

Pater noster qui est in coeli

Sanctificetur nomem tuum

Adveniat regnum tuum

Fiat voluntas tua

Sicut in celo et in Terra

 

Pai Nosso  que estás no  Céu

Santificado Senhor seja o Teu  Santo nome

Venha ao  Teu  reino

Seja feita a Tua vontade

Assim na Terra como no  Céu

Dá-nos o pão  deste dia

e aos nossos erros perdão

Como  aos outros perdoamos

Não  nos deixe em tentação

Livra-nos de todo o mal

que Tua é a Glória . Amém !

 

Elohim ! Elohim ! Elohim ! Elohim !

 

                 QUEM SOMOS NÓS

Ao  deixar a minha terra eu pensei  que navegar

era só partir pra longe e um dia regressar

Ao  chegar à nova terra, quis fazer dali  meu  lar

e estrangeiro  eu fui  pra sempre

nunca tive o meu lugar

 

Quem somos nós em frente ao mar ?

Com  sonhos loucos de navegar

Quem somos nós em frente ao  cais ?

Com  sonhos loucos voltar atrás

 

Num Natal que eu  não  esqueço regressei ao meu país

Cada amigo  que eu  conheço me abraça e me diz

que eu deixei de ser quem era, que estranha o meu  falar

e imigrante eu fui  pra sempre, nunca tive mais um lar

 

                MEU PORTUGAL

Meu Portugal - és lindo, meu  Portugal

Tal qual o  amor que eu deixei na capital - Lisboa

Ai  que saudades do nosso  amor ancorado

naquele porto  distante da capital - Lisboa

Sonhos azuis, barco de luz brilhava

e em nosso olhar o amor falava

 

Quero  voltar e ver de novo  por lá

aquele amor ... onde andará ?

Quero  rever os nossos sonhos azuis

Que eu deixei em Portugal.

 

               GÔSTO DE SAL

Terra minha , que um dia fui  deixar-te

que eu não  era então o dono do meu  destino

Se puseram nas minhas mãos de menino

essa dor que tanto  custa vir contar-te

E hoje eu  venho  resgatar o teu  carinho

Fui  sem culpas, volto  cheio  de esperanças

Que tu mesma me ensinaste o  caminho

destes mares que me deste por herança

 

E bem ou  mal ... sou o  teu  filho !

O mesmo gosto  de sal trago  comigo

Terra minha !

 

E ao chegar eu não pensei  nem um instante

Terra minha, minha mãe, em não  amar-te

que tristeza eu  sinto  hoje, ao  encontrar-te

não me chamas filho... chamas-me imigrante.

 

         COMO É LINDA A MINHA ALDEIA

Como é linda a minha aldeia - o lugar onde eu nasci

Sob a luz de uma candeia lembro  a terra onde eu vivi

É tão lindo o amanhecer - cai  o sol  sobre as herdades

Lá eu não pude viver, hoje eu choro  de saudade.

 

À  hora da Ave Maria quando  os sinos vão   tocando

é chegado o fim do dia - nossa gente vai  rezando

nessa hora de alegria, logo se prepara a ceia

à hora da Ave Maria, como  é linda a minha aldeia !

 

Oh ! jardim das oliveiras ! guarda os teus lindos trigais

és a esperança verdadeira - és a terra dos meus pais

é tão lindo o amanhecer - cai o sol sobre as herdades

lá eu não pude viver, hoje eu  choro  de saudade.

 

         UM GRANDE AMOR

Quando a gente tem um grande amor

É sempre bem mais triste a despedida

Na hora da partida o  coração padece

Jamais a gente esquece aquela dor

 

Tentamos esconder, em vão, no olhar

a lágrima que insiste em deslizar

Pois quando  o amor existe , partir é bem mais triste

Saudade é coisa que nos faz chorar

 

E assim - quando  eu  deixei  meu  Portugal

meu  coração chorou  numa canção o amor que lá deixei

Depois ... olhando  o  céu eu  compreendi

que um grande amor que a gente deixa lá - jamais se esquece aqui !

 

O tempo  passa e o pensamento  faz

de tudo  uma recordação  a mais

Meu  bairro, minha rua, o  amor, a noite e a lua

Tudo isto, o coração  da gente traz

E sempre existe uma canção de amor

Que fala ao  coração  e faz sonhar

O peito não  resiste -  o pensamento  existe

e aquele adeus então não pode dar

 

             FOI DEUS

Não  sei, não  sabe ninguém

Por que canto o fado  neste tom magoado

de dor e de pranto

E neste tormento, todo o sofrimento

que sinto  em minha alma, cá dentro  se acalma

nos versos que canto

Foi  Deus Quem deu  luz aos olhos

perfumou  a rosa , deu ouro  ao  sol e prata ao   luar

foi  Deus quem me pôs no peito

um rosário  de penas que vou  desfiando e choro  a cantar

 

Pôs as estrelas no  céu

fez o  espaço  sem fim

deu o luto  às andorinhas

Ai, Deu-me esta voz a mim

 

Se canto  eu  não  sei o que canto

misto  de ventura, saudade,ternura, e talvez  amor

mas sei  que cantando  sinto o mesmo  quando

se tem um  desgosto  e o  pranto  no  rosto   nos deixa melhor

Foi  Deus quem deu  voz ao  vento

luz ao  firmamento, e deu  o azul às ondas do mar

foi  Deus Quem me pôs no peito

um rosário  de penas que vou  desfiando

e choro  a cantar

Fez poeta o  rouxinol

pôs no  campo   o  alecrim

deu as flores à primavera

Ai, deu-me esta voz a mim

 

         CAVALGADA

Vou  cavalgar por toda a noite

por uma estrada colorida

usar meus beijos como  açoite

e a minha mão  mais atrevida

Vou  me agarrar aos teus cabelos

Pra não  cair do  teu galope

Vou  atender aos meus apelos

Antes que o  dia nos sufoque

 

Vou  me perder de madrugada

Pra me encontrar no  teu abraço

Depois de toda a cavalgada

Vou  me deitar no  teu cansaço

Sem me importar se nesse instante

Sou  dominado  ou  se domino

Vou  me sentir como um gigante

Ou  nada mais do  que um menino

 

Estrelas mudam  de lugar , chegam mais perto  só pra ver

E ainda brilham de manhã depois do nosso  amanhecer

E na grandeza deste instante o  amor cavalga sem saber

que na beleza desta hora o sol espera por nascer